Artigo

Quando devo consultar o médico?

Saiba em que situações deve recorrer de urgência a apoio médico durante a gravidez.

Escrito por: Dra. Marcela Forjaz, Ginecologista-Obstetra.

Para uma grávida de primeira viagem pode parecer que, de repente, todas as sombras escondem um fantasma. Em qualquer alteração da rotina vê um perigo, em cada alimento um potencial contaminante, ainda mais com as pessoas que a rodeiam sempre prontas a alvitrar teorias sobre tudo o que pode ser ameaçador.

É muito difícil à grávida separar o que é realmente de valorizar do que não passa de um desconforto inerente à gravidez. A internet é outra conselheira muitas vezes duvidosa, de forma que, sempre que exista alguma questão que pareça relevante, a grávida deve falar com quem a vigia e, de fonte segura, saber se pode ficar tranquila ou se deve tomar alguma medida de acordo com a sua situação.

Dor intensa e/ou repetida

Logo no início da gravidez, é frequente a grávida ter algumas dores pélvicas que a fazem recordar do que sentia quando estava menstruada. Por estabelecer esta relação pode alarmar-se, mas na realidade esta dor não ocorre porque algo de mal esteja para acontecer mas, a maior parte das vezes, porque o útero está a distender e o seu fluxo vascular está a aumentar.

Assim, mesmo que alguém diligentemente lhe conte que houve quem abortasse com essas dores, estas não são de valorizar. Este tipo de opinião é para ser ignorado e, em vez de se deixar levar pelo medo, a grávida tem de acreditar em si e no seu instinto. Com certeza que, se tiver dores intensas, tipo cólica, saberá que estas sim, são sinais de alerta e deverá falar ao médico.

Hemorragia

Se a acrescentar à dor tiver perda de sangue, ou mesmo se sangrar sem dor, será sempre um motivo de urgência. Nenhum sangramento deve ser encarado com ligeireza na gravidez, embora se tenha também a perceção de que uma pequena perda de sangue poderá ser menos alarmante do que uma hemorragia considerável.

Perda de líquido repetidamente

O corrimento vaginal aumenta ao longo da gravidez, não representando uma preocupação, desde que as outras características sejam normais. Porém, pela sua quantidade, com frequência é confundido com uma possível perda de líquido.

Na dúvida, a grávida deverá falar com o seu médico ou recorrer a um serviço de urgência se entender que está a perder líquido.

Mas há algumas coisas que deve ter presente:

  • É muito raro haver perda de líquido amniótico no primeiro e fase inicial do segundo trimestre;

  • É frequente a grávida ficar com algum grau de incontinência urinária de esforço que piora à medida que a gravidez progride, podendo assim perder inadvertidamente pequenas quantidades de urina;

  • A perda de líquido persiste mesmo depois de se ter limpo a área genital, o que não acontece com o corrimento ou com a urina. Assim, se perder líquido repetidamente num intervalo curto de tempo, e esse líquido for claro e sem cheiro, aí sim, deverá deslocar-se a uma maternidade para que, confirmando-se a situação, fique internada. Ocasionalmente pode acontecer que tenha um tom esverdeado e esse é mesmo um sinal de alerta mais preocupante, que deverá levar a grávida até um hospital, sem delongas.

Diminuição dos movimentos fetais

Outro aspeto da gravidez que é sempre alvo de atenção porque monitoriza o bem-estar do bebé, é a frequência e intensidade dos movimentos fetais. O bebé, com a idade, acaba por ter um padrão próprio de comportamento.

As grávidas já sabem, a maior parte das vezes, que o seu bebé costuma ficar irrequieto em determinadas circunstâncias, mas que noutras, também já identificadas, ele acalma. Se num determinado dia o bebé deixar de mexer-se ou se diminuir muito os seus movimentos, este será motivo para falar com o seu médico ou recorrer a um serviço de urgência, de forma a poder verificar se o bebé está bem.

Assim, os principais sinais de alerta que devem levar a grávida a contactar o seu médico, são:

  • Dor intensa e/ou repetida;

  • Hemorragia;

  • Perda de líquido e diminuição mantida dos movimentos fetais.

Sem necessidade de alarmes por tudo e por nada, uma atitude tranquilamente atenta é suficiente para detetar as alterações à normalidade e dar o alerta, para que se tomem medidas que conduzam a gravidez a um final feliz.

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