Artigo

Papel do pai no parto

Estar presente ou não no momento do parto é uma questão que muitos pais se colocam, mas sendo importante a sua presença no parto propriamente dito, há toda uma envolvência antes e depois, na qual o pai tem um papel.

Escrito por:  Dra. Marcela Forjaz, Ginecologista-Obstetra.

Se a gravidez é, na maior parte das vezes, um projeto de casal, faz todo o sentido que o pai acompanhe passo a passo a sua evolução e o desenlace.

O pai é chamado, hoje em dia, a estar presente nas consultas de vigilância da gravidez, deixando de estar à margem; acompanha o crescimento da barriga (o sinal externo de que o seu filho está no ventre da sua companheira), o desenvolvimento do bebé, os cuidados a ter em cada fase; é-lhe possibilitado ainda acompanhar a grávida à preparação para o parto, onde aprenderá como apoiar a sua companheira nesse momento.

Assim, nada mais natural do que acompanhar também o trabalho de parto aplicando o que aprendeu mas sobretudo estando atento.

Apoio e segurança

Estar atento a quê, perguntarão... Mais do que estar atento ao desconforto, procurando aliviá-lo com uma massagem; à sede, oferecendo um golo de água ou apenas molhando os lábios à grávida; à dor, alertando os profissionais de saúde para esse facto, deverá estar atento ao olhar, quando esse expressar alguma insegurança, deverá estar atento ao tom de voz, às expectativas para esse dia, e dar a mão, ou uma palavra de ânimo, tranquilizar, lembrar que estão os dois juntos para viverem o momento e partilharem as emoções da chegada de um filho.

Alguns pais interrogam-se se conseguirão estar presentes no momento do parto. Temem não ser capazes de assistir a algo que pode implicar algum sofrimento ou que pode parecer um pouco violento. O pai deve ter o espaço necessário para decidir se quer e consegue, mas a par com algo que pensa que poderá ser impressionante de forma negativa, estará a viver algo inesquecível em termos de pico de emoção e essa razão pode fazê-lo esquecer de toda a envolvência mais ou menos "dura".

Viver as emoções em conjunto

O casal recebe o seu filho em conjunto, vive em simultâneo as mesmas emoções e nada como a partilha desta emoção para estreitar o elo, fortalecer vínculos.

Para além do apoio físico à grávida, o segurar a cabeça, encorajá-la, cortar o cordão, há toda a participação que não se vê, que não se mede, mas que ficará registada na sua vivência como família. Em última instância, existem ainda estímulos químicos, hormonais, a estabelecer uma ligação entre os três – mãe, pai, filho – que deixarão memória não consciente de um momento de ligação extrema.

Não só a presença do pai também o fará olhar a mãe, de forma racional, com outros olhos, mas também a marca na esfera involuntária desta vivência do parto, com o clima hormonal que lhe está associado, permitirá que o pai tenha uma maior tolerância e tranquilidade perante as alterações emocionais da mãe no pós-parto, que com frequência o afetarão diretamente.

Para a mãe, será a reafirmação de que o seu companheiro está consigo incondicionalmente em todas as circunstâncias pelas quais ela passe, mesmo que isso implique coragem da parte dele e um esforço para vencer aquilo que ele possa considerar como as suas limitações. Para o melhor e para o pior.

Preparar-se para o papel de pai

A legislação atual já confere alguns direitos ao pai, possibilitando pelo menos parcialmente o acompanhamento da gravidez e o acompanhamento do recém-nascido. O pai gozará inclusivamente de um período de licença durante o qual será ele a cuidar do filho. Para isso, terá de ter experienciado todos os gestos que se prevê que ele tenha de vir a repetir: mudar fraldas, alimentar, adormecer, etc., não deverão ter segredos para ele.

Conclusão: o pai que está presente no parto não será melhor pai do que o que não está, mas diria que ficou melhor preparado para o seu papel de pai, elemento estratégico da tríade que se formou.

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