Artigo

Moderar o consumo de sal

Saiba quando e como deve ser introduzido o sal na alimentação do seu filho e fique a par dos riscos que o consumo excessivo de sal representa para a saúde de uma criança.

Escrito por: João Côrça, Dietista da APCOI – Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil Membro Efetivo da Ordem dos Nutricionistas

Quando pensamos em sal, vem-nos à memória um sabor que conhecemos desde sempre, pela sua introdução precoce na alimentação. Mas porque será que algo tão familiar como o sal é tantas vezes referido como prejudicial à saúde?

O “sal comum” (cloreto de sódio), amplamente utilizado na alimentação humana como tempero, tem constituintes essenciais à vida mas em excesso tem um efeito prejudicial, sendo necessária cautela no seu consumo desde a primeira infância.

A preferência pelo sabor salgado começa a desenvolver-se no 2º semestre de vida, altura em que se inicia a diversificação alimentar, atingindo um pico aos 3-4 anos de idade da criança, sendo potenciada pela exposição precoce deste sabor à criança.

Os constituintes base do sal (iões de sódio e de cloro) são nutrientes essenciais para a manutenção da vida, e desempenham funções tão importantes como a regulação da quantidade de água do organismo e o normal funcionamento das células. Em indivíduos saudáveis, quase 100% do sódio é absorvido durante a digestão, sendo a sua excreção feita essencialmente através da urina.

Introdução do sal na alimentação da criança

Até aos seis meses de vida, as necessidades de sódio (0,12g por dia) são supridas pelo leite materno, ou por fórmulas de substituição. Com a diversificação alimentar, entre os seis e os doze meses de vida, não é aconselhada a introdução de sal adicionado e produtos processados que contenham sal, uma vez que os rins dos lactentes são imaturos e a alimentação supre as necessidades diárias de sódio (0,37g por dia).

Após o primeiro ano de vida e até aos cinco anos da criança deve limitar-se o consumo de alimentos com sal adicionado a não mais que uma a duas vezes por mês, e nunca como substitutos de uma refeição.

Até à idade adulta, as necessidades de sódio aumentam ligeiramente, necessitando o adulto de apenas 2,0g de sódio por dia – o equivalente a 5,0g de sal (menos de uma colher de café) – de acordo com a Organização Mundial de Saúde. Para atingir esta quantidade não há necessidade de adicionar sal às refeições.

No entanto, isso não acontece, o que leva a um excesso de consumo de sódio que traz consequências para a saúde, como o desenvolvimento de hipertensão arterial (HTA), o aumento do risco de ocorrência de enfarte agudo do miocárdio e acidentes vasculares cerebrais (AVC), podendo mesmo levar à morte. As crianças com uma elevada pressão arterial têm um risco aumentado de desenvolverem HTA e outras doenças cardiovasculares em adultos, podendo estas doenças surgir ainda durante o período da infância.

Estratégias para moderar o consumo de sal

O sódio está presente de forma natural em praticamente todos os alimentos que consumimos, como o leite (50mg de sódio por 100ml) e os ovos (80mg por 100g) mas também é adicionado sob a forma de sal a alimentos processados como o pão, bolachas e cereais de pequeno-almoço (250mg por 100g), carnes processadas como o bacon (1.500mg por 100g), snacks salgados (1.500mg por 100g), bem como em condimentos como o molho de soja (7.000mg por 100ml), e cubos de tempero (20.000mg por 100g). Os processos industriais a que os alimentos são submetidos, como os métodos de conservação, contribuem assim para que tenham quantidades muito superiores de sódio do que a sua forma natural.

A importância dos rótulos

Tendo em conta a variedade de produtos alimentares existente, é cada vez mais difícil escolher produtos adequados, pelo que a leitura dos rótulos é imprescindível para identificar o seu teor de sódio, e assim fazer escolhas mais acertadas. Para tal, sempre que possível procure produtos com as seguintes alegações nutricionais: baixo teor de sódio/sal (menos de 0,12g de sódio ou valor equivalente em sal, por 100g ou 100ml de produto); muito baixo teor de sódio/sal (menos de 0,04g de sódio por 100g ou 100ml); sem sódio ou sem sal (menos de 0,005g de sódio por 100g ou 100ml) e sem adição de sódio/sal (não contém sódio/sal adicionado nem qualquer outro ingrediente que contenha sódio/sal adicionado e o produto não contém mais de 0,12g de sódio, ou o valor equivalente de sal, por 100 g ou por 100 ml).

Ficam aqui algumas ideias para reduzir o consumo de sal, válidas desde a primeira infância: privilegie uma alimentação baseada em alimentos no seu estado natural evitando os alimentos processados; consuma 5 porções de frutas e vegetais por dia; ingira uma quantidade moderada de produtos de origem animal; tempere os alimentos com ervas aromáticas e especiarias, e não adicione sal durante a confeção dos alimentos ou à mesa. Só assim conseguirá um melhor equilíbrio na ingestão de sódio de toda a família, o que a saúde agradece!

Newsletter

Receba dicas e conheça novos testemunhos todos os meses.

O seu endereço de e-mail

Data prevista para o parto

 

Siga-nos

Faça parte desta comunidade.


Com o patrocínio de: