Artigo

Amamentação desde o nascimento

Conheça os benefícios do aleitamento materno para a mãe e para o bebé e saiba como contornar alguns desconfortos que podem causar dificuldades.

Escrito por: Tânia Camões, Dietista e Conselheira de Aleitamento Materno

O leite materno fornece ao bebé a nutrição ideal para os seus primeiros meses de vida e recomenda-se que aconteça em exclusivo até aos seis meses.

Benefícios da amamentação para o bebé

Para além de ter um valor nutricional perfeito para o bebé crescer de forma saudável, fornece-lhe outros compostos únicos que não estão presentes de forma natural em nenhum outro tipo de leite.

O leite materno tem uma digestão mais facilitada e contém anticorpos que ajudam o bebé a prevenir os problemas comuns que possam surgir relacionados com o seu sistema imunitário - asma, alergias, otites, doenças respiratórias e episódios de diarreia. A amamentação pode ser preponderante na redução do risco de excesso de peso e obesidade infantil.

Para além de todas as vantagens nutricionais, a amamentação vai ajudar também o bebé na criação de laços com a mãe e a sentir-se mais seguro e menos nervoso, devido à maior proximidade que se desenvolve entre ambos. Em relação ao peso, os bebés alimentados com leite materno têm uma maior probabilidade de ganhar o peso correto durante o seu crescimento.

Pode também prevenir o síndrome de morte súbita na infância, assim como ser um facto preventor importante de diabetes e obesidade na infância. O único nutriente que está em carência no leite materno é a vitamina D, um dos primeiros suplementos nutricionais recomendado pelos pediatras.

Benefícios da amamentação para a mãe

Amamentar será essencial na recuperação do peso após o parto, visto que no processo de produção de leite está envolvido um dispêndio energético considerável. Através da libertação de oxitocina, ajuda o útero materno a retomar o seu tamanho antes da gravidez e permite uma redução das hemorragias uterinas após o parto. Amamentar pode também ser um fator preventor de cancro da mama e dos ovários, e reduzir o risco de osteoporose e de diabetes tipo 2.

A amamentação pode também ajudar a que se sinta confiante neste novo papel, especialmente quando se trata do primeiro filho. É mais uma forma de cuidar do bebé de uma forma que mais ninguém o conseguiria fazer.

Vida prática

A alimentação da mãe deve ser a mais variada e equilibrada possível. Apesar de frequentemente ouvirmos falar de alimentos que podem provocar cólicas ao bebé ou que possam aumentar ou diminuir a produção de leite, não existem evidências de que assim seja.

A única exceção é em casos de alergias alimentares maternas/paternas, que podem estar presentes no bebé antes dos seis meses, e esse alimento deve ser excluído da alimentação da mãe. É então importante que se reja pelo bom senso e sempre que notar alterações no seu bebé que possam ser associadas à ingestão de determinado alimento, o evite durante uns dias para que os sintomas desapareçam.

Contudo, estes devem ser introduzidos na semana seguinte, em menores quantidades para avaliar a tolerância. A água é extremamente importante na amamentação, visto que a produção de leite está também dependente da ingestão materna de líquidos.

Para além dos fatores fisiológicos, é também a forma mais económica e prática de amamentar o seu bebé, visto não precisar de preparação e estar sempre disponível. Mesmo que amamente por um período inferior aos seis meses, é melhor amamentar por um curto período do que não o fazer de todo.

Principais desafios da amamentação

  • Mamilos doridos: é possível que tenha alguma dor nas primeiras semanas de amamentação. Para prevenção, é importante verificar se o bebé faz uma boa pega. No final, pode usar um dedo para que o bebé largue a mama sem a magoar. Visto que o bebé tem uma sucção mais rápida no início, pode optar por iniciar a refeição com o peito contrário.

  • Mamilos gretados: evite sabonetes ou cremes perfumados com álcool, visto que estes podem secar os mamilos e levar a que gretem.

  • Preocupação de estar a produzir leite suficiente: os principais sinais de que um bebé está bem alimentado são o sujar muitas fraldas (aproximadamente 6-8 por dia) e se aumenta de peso. Uma boa alimentação, bastante descanso e uma abundante hidratação da mãe são essenciais para uma correta produção de leite.

Quando é que a amamentação pode ser contraindicada?

  • Quando a mãe é portadora do vírus HIV, visto que o vírus pode passar para o bebé através do leite materno;

  • Se tiver tuberculose;

  • Se estiver a fazer tratamentos de quimioterapia;

  • Se utilizar drogas ilegais;

  • Se o bebé tiver galactosémia, não tolerando este a galactose contida no leite materno;

  • Se tomar medicação específica para enxaquecas ou artrite. Se tomar outro tipo de medicação, fale com o seu médico para que juntos possam decidir qual a melhor decisão a tomar.

Esta é uma forma única de estabelecer laços com o seu bebé, através de um momento que apenas podem partilhar um com o outro. Contudo, a decisão de amamentar é pessoal e, se optar por leite de fórmula, será também esta uma forma correta de alimentar o seu bebé.

Referências

  • A Parent's Guide to Childhood Obesity: A Road Map to Health. 2006. American Academy of Pediatrics.

  • Horta, B. (2013). Long-term effects of breastfeeding: A systemati creview. Geneva, Switzerland: WHO.

  • Victora CG et al. Breastfeeding in the 21st century: epidemiology, mechanisms, and lifelong effect. Lancet. 2016 Jan 30;387(10017):475-90.

  • Bener et al. Role of breast feeding in primary prevention of asthma and allergic diseases in a traditional society. Eur Ann Allergy Clin Immunol. 2007 Dec;39(10):337-43.

  • Tedder J. The Roadmap to Breastfeeding Success: Teaching Child Development to Extend Breastfeeding Duration. J Perinat Educ. 2015;24(4):239-48. doi: 10.1891/1058-1243.24.4.239.

  • Prentice et al. Breast milk nutrient content and infancy growth. Acta Paediatr. 2016 Feb 10.

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