Artigo

Sexualidade na gravidez

A gravidez traz grandes transformações à vida do casal, mas pode ser uma oportunidade para estreitar laços e reinventar a forma de se relacionar intimamente. 

Com os testemunhos de: Marta Crawford, licenciada em Psicologia Clínica. Especializada em Sexologia Clínica. 

A gravidez, sobretudo para os pais de primeira viagem, traz consigo dúvidas, preocupações e receios. Este é um período vivido com grande intensidade e expetativa, que pode representar uma oportunidade para o casal reinventar a sua sexualidade e fortalecer a sua forma de estar intimamente.

Numa palestra integrada na VIII Conferência A Nossa Gravidez, O Nosso Bebé, realizada em outubro de 2015, a sexóloga Marta Crawford deixou aos casais grávidos e recém-pais alguns conselhos ligados à sexualidade na gravidez e após o nascimento dos filhos.

Conversar sobre receios e dúvidas

O primeiro passo para ultrapassar quaisquer problemas que surjam na relação do casal, e para enfrentar as dificuldades e receios próprios desta fase, consiste em dialogar.

«Há uma série de alterações pelas quais a mulher passa na gravidez e que é preciso serem conversadas, para que se encontrem novas formas de estar intimamente, de maneira a que os dois se sintam bem, mais próximos, mais cúmplices e compreensivos. Não ter medo de falar sobre os seus desejos, inquietações e medos específicos em relação à atividade sexual», explica Marta Crawford.

Esta capacidade de diálogo pode não ser simples de alcançar e surtir efeitos. Segundo Marta Crawford, muitos casais procuram pela primeira vez ajuda de um terapeuta sexual depois do nascimento dos filhos, para superar estas dificuldades, o que ajuda a perceber que efetivamente as diferenças ao nível da sua intimidade na gravidez e a seguir ao parto existem e interferem no seu dia-a-dia. Este é um caminho possível para preservar a saúde da relação.

Procurar compreender o outro

A gravidez pode implicar importantes mudanças ao nível do desejo sexual. Estas mudanças são imprevisíveis. Há mulheres que não se sentem confortáveis com as transformações físicas por que passam durante o período de gestação.

O aumento do peso leva a que deixem de se sentir atraentes, e as alterações hormonais e a ansiedade em torno do nascimento do bebé podem afastar o desejo sexual. Noutros casos, a gravidez aumenta exponencialmente o desejo sexual.

Por outro lado, alguns homens sentem-se pouco à vontade em fazer sexo após a conceção, por terem receio de poder magoar o bebé. Marta Crawford explica que o medo de perder o bebé é um dos principais motivos que levam o casal a interromper a rotina de relações sexuais na gravidez.

«A partir do momento em que sabemos que estamos grávidas existe, muitas vezes, um primeiro receio associado à perda, eventualmente devido a um aborto espontâneo. E, muitas vezes, esse receio faz com que haja o evitamento de uma atividade sexual», introduz.

No entanto, esta abordagem pode ser facilmente ultrapassada se o casal não limitar o seu conceito de relação sexual ao ato de penetração.

«Uma grande parte dos casais traduzem sexualidade pelo ato que passa pela penetração, pelo coito, e portanto começam a evitar esse estímulo e por se ir distanciando, com receio de que eventualmente a sexualidade possa trazer algum malefício para a gravidez», acrescenta a especialista.

Desmistificar o sexo na gravidez

É importante que os casais saibam que, a não ser que haja alguma contraindicação médica, as relações sexuais não representam qualquer perigo para o feto. O casal deve informar-se junto do médico sobre se devem ter algum cuidado extraordinário relativamente às relações sexuais, o que pode acontecer no contexto de uma gravidez de risco. No entanto, para a maior parte dos casais, é seguro ter relações sexuais na gravidez.

Adaptar-se às transformações

Em termos práticos, as mudanças corporais pelas quais a mulher passa durante a gravidez podem impor certas restrições durante as relações sexuais. Por exemplo, depois do primeiro trimestre, a mulher pode sentir-se mais desconfortável deitada de barriga para cima, devido à pressão exercida pelas veias. O casal pode ter que optar por outras posições que sejam mais satisfatórias para ambos.

«A gravidez, em si, pode ser um momento de grande descoberta para o casal, que se habituou a estar sexualmente de uma determinada forma, e pode ser o início de uma sexualidade muito mais interessante», sugere Marta Crawford.

Alimentar a relação

A gravidez e o primeiro ano a seguir ao parto podem mudar radicalmente a forma de o casal se relacionar intimamente, o que não significa que a relação perca qualidade ou intensidade. Pelo contrário, os casais que conseguem encontrar novas formas de se relacionar sexualmente, que vão para além da relação sexual com penetração, alcançam com isso uma maior maturidade no que respeita à sua sexualidade.

«Há casais que utilizam uma grande paleta de cores na sua sexualidade e que efetivamente se descobrem durante a gravidez, encontrando outras alternativas para estar e manter o contacto íntimo com frequência, de uma forma satisfatória, que não crie receios para a mulher nem para o homem», sublinha Marta Crawford.

Segundo a psicóloga, esta disponibilidade para uma sexualidade mais madura consegue-se, não só procurando experimentar outras posições sexuais, que sejam mais confortáveis para ambos, como também encarando os gestos mais simples como formas de relacionamento íntimo.

«Há formas diferentes de estar intimamente, com imenso prazer e imensa qualidade. Uma sexualidade que passe mais pelo carinho, pelas festas, pelas carícias, por outros tipos de comportamento sexual, como a masturbação a dois ou o sexo oral», esclarece Marta Crawford, frisando que é importante que os pais estejam atentos àquilo que os aproxima e alimentem aquilo que os possa aproximar.

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