Artigo

Saúde da mãe no pós-parto

Saiba por que transformações passa a mulher no período a seguir ao parto e conheça formas de encarar e ultrapassar os problemas.

Escrito por: Dra. Marcela Forjaz, Ginecologista-Obstetra.

Se uma gravidez representa uma transformação física importante e uma aprendizagem no saber lidar com uma série de emoções, o período de pós-parto não é, a maior parte das vezes, mais fácil.

Se quiséssemos reduzir esta fase às transformações físicas, poder-se-ia dizer que era um processo relativamente simples: o bebé nasce, o útero contrai, e devagar vai voltando à sua forma original ao longo de um período de 4 a 6 semanas.

A mama inicia o processo de produção de leite, para o qual está vocacionada. O bebé deverá mamar com intervalos de cerca de três horas e, nos intervalos em que dorme, a mãe repousa. Parece mesmo simples e linear. O pior é que o quadro não é bem assim. E a subida/descida do leite? As dores “tortas”? O cansaço e a vontade de chorar? E os pontos? As hemorroidas?

Transformações físicas

O pós-parto é, na realidade, uma fase conturbada, à qual a mãe sobreviverá mais forte e enriquecida.

No que diz respeito à parte física, como referia há pouco, o útero seguirá uma evolução no sentido de se manter contraído para prevenir a hemorragia, e assim diminuirá o volume, paulatinamente. Durante este processo vai mantendo algumas perdas de sangue, nesta altura denominadas lóquios (popularmente, "restos do parto"), que vão mudando as características, ficando mais claras e ocasionalmente rosadas, e que podem manter-se até às 6 a 8 semanas pós-parto.

As velhas “dores tortas” ocorrem geralmente nas primeiras 72 horas após o parto e são mais acentuadas quando se trata de um segundo ou terceiro filho: o útero já não se mantem continuamente contraído com um tónus muito elevado como após o primeiro filho, como se já não tivesse “força” para se manter assim.

Além disso, quando há libertação de ocitocina, como acontece, por exemplo, após uma mamada, em resposta imediata ele consegue aumentar esse tónus (como que apertando-se mais) e essa diferença de intensidade da sua contração origina uma dor (como nas contrações do trabalho de parto) até ele voltar ao tónus em que estava.

Pontos do parto

Dependendo se o parto foi por via vaginal ou cesariana, com frequência existem pontos, que deverão ser vigiados e alguns retirados. Enquanto presentes, sobretudo os da episiotomia, causam algum desconforto, mas medidas simples como a aplicação de gelo dão uma melhoria apreciável.

Subida do leite

A subida do leite é outro momento crucial no pós-parto. Embora possa acontecer de maneira pacífica, sem grandes sobressaltos, a maior parte das vezes cursa com algum desconforto, com sensação de grande tensão mamária, chegando em alguns casos a ficar com consistência muito dura, associada a dor.

A massagem com extração do leite alivia de alguma maneira essa tensão, assim como a aplicação de toalhas molhadas em água quente, ou mesmo o prolongamento do duche com incidência do chuveiro na zona do peito. Se necessário, pode ainda fazer-se ocitocina em spray nasal para facilitar a saída do leite pelos canais galactóforos. Há que manter a força de vontade para manter a amamentação, porque uma vez ultrapassada esta fase, tudo poderá correr em velocidade de cruzeiro.

Outra prova a superar é a instabilidade do humor. Mesmo no auge da felicidade, haverá momentos em que a mãe duvidará da sua capacidade de cuidadora de um bebé. A insegurança aliada à privação de sono e às alterações hormonais que sofre nesta altura não perdoam, e é comum o choro fácil, a impaciência, a pouca tolerância, até alguma tristeza, o que passará em cerca de 10 a 15 dias. Quando este quadro se prolonga para além deste limite, aí sim, será prudente solicitar o apoio de um médico, já que o frequente baby blues pode afinal tratar-se de uma (mais rara) depressão pós-parto.

Consulta de puerpério

A consulta de puerpério, chamada de revisão do parto, deve ocorrer passadas cerca de 6 semanas pós-parto. Nesse momento avalia-se o retorno à forma anterior ao parto, quer relativamente à involução do útero, aspeto e funcionalidade do períneo, se já se retomou a atividade sexual e se há queixas associadas, quer ainda de aspetos relacionados com a amamentação e contraceção.

Tal como para as consultas de gravidez, deve levar-se uma check list com os pontos que se quer ver abordados, porque as noites ainda mal passadas e o cansaço de tratar de um bebé, o esforço de uma adaptação da vida familiar a um novo elemento e a novas rotinas (se é que já se consegue ter rotinas) não perdoam, e a memória não estará ainda em grande forma. Assim, para não falhar nada, todas as questões devem ser anotadas. Depois desta consulta, com o decorrer de pouco tempo mais, tudo parecerá mais “encaixado”, mais rotineiro, mais fácil de gerir.

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