Artigo

Introdução dos sólidos

Saiba quando e como começar a introdução dos sólidos na alimentação do bebé.

Escrito por: Tânia Camões, Dietista e Conselheira de Aleitamento Materno

Por volta dos 4-6 meses de idade, o rápido crescimento do seu bebé faz com que o leite materno deixe de ser suficiente do ponto de vista nutricional e energético. É nesta altura também que o bebé adquire novas capacidades e inicia movimentos de mastigação.

Nesta fase inicial encare os sólidos como algo que está a acrescentar à alimentação do seu bebé, visto que nos primeiros dias ainda não poderão ser considerados substitutos do leite - no início pode resumir-se apenas a algumas colheres. É um processo gradual e a mudança da consistência e textura destes novos alimentos podem trazer ao bebé alguma resistência, precisando também o bebé de toda a prática necessária para saber comer com a colher e para aprender a familiarizar-se com todas estas mudanças.

Mais do que comer tudo à primeira, o mais importante é tentar deixá-lo confortável com esta nova experiência, para que gradualmente se torne num hábito. É também importante que escolha uma altura em que o seu bebé não esteja muito cansado ou rabugento e com alguma fome. 

Como começar?

Não existe uma forma única e certa de iniciar a diversificação alimentar. Tendo em conta que nascemos com uma apetência para gostar do sabor doce, é importante treinar o paladar do bebé para diferentes sabores. Nesta perspetiva, pode ser interessante iniciar a introdução dos sólidos com um puré de legumes. Os legumes mais utilizados no início são a batata, batata-doce, cenoura, abóbora, alho francês, cebola, alface, curgete, brócolos e couve branca.

Estes devem ser sempre agrupados 3 a 5, sendo que cada alimento novo deve ser introduzido num intervalo de pelo menos 3 dias, para que se possa avaliar a tolerância. Devido ao seu elevado teor de nitratos e fitatos, os espinafres, a nabiça, a beterraba e o aipo só devem ser introduzidos a partir dos 12 meses. Ao puré de legumes deve ser adicionada uma colher de chá de azeite em cru, mas não adicione sal.

Papas e frutas

As papas de cereais podem ser lácteas (se tiverem leite adicionado, com o objetivo de serem preparadas com água) ou não lácteas (preparadas com o leite do bebé) e podem ser ainda isentas de glúten (quando elaboradas a partir de milho, arroz ou frutos, podem ser ingeridas a partir dos 4 meses) ou com glúten (preparadas a partir de trigo, centeio ou aveia ou de uma mistura de cereais, devem ser dadas ao bebé apenas a partir dos 6 meses). São um alimento fácil de introduzir pela sua semelhança ao leite, densamente energéticas e de elevado teor proteico. Contudo, são também mais doces, pelo que a sua utilização deverá ser feita de forma controlada.

Os frutos são importantes fornecedores de vitaminas, minerais, fibras e água. A maçã e a pera (cozidas ou raladas) e a banana são excelentes opções para incorporar a fruta na alimentação do bebé. Devem ser usados como complemento e não como o único constituinte de uma refeição. Embora se deva dar preferência à fruta da época, os frutos tropicais como o abacate, a manga e a papaia podem também ser opções válidas. É importante que as ofereça primeiro individualmente e só depois em conjunto, para que o bebé se habitue ao sabor de cada uma.

Carne e peixe

A introdução da carne deve ser feita por volta dos seis meses, adicionada à sopa de legumes. Inicialmente deve começar com uma dose de 10-15g, que irá progredindo até às 30-40g perto dos 12 meses. Prefira as carnes de frango, peru, vitela, borrego e coelho inicialmente.

O peixe pode fazer parte da alimentação do bebé a partir do sétimo mês. Os peixes preferidos deverão ser a pescada, linguado, solha ou faneca. O salmão deverá ser introduzido apenas mais tarde, perto dos 12 meses e em pequenas quantidades. Tal como a carne, o peixe deve ser misturado à sopa do bebé.

O ovo inteiro apenas deverá ser consumido pelo bebé a partir dos 12 meses, recomendando-se que a partir dos 9 lhe seja oferecida apenas a gema, até 3 vezes por semana. As leguminosas secas devem ser introduzidas apenas a partir dos 8-9 meses, previamente demolhadas, sem casca e em porções pequenas.

Horários e birras

É importante que respeite o horário das refeições e que assim as ensine ao seu bebé. Caso ele rejeite algum alimento, não deve insistir, mas sim oferecê-lo novamente mais tarde, não oferecendo alternativas.

Os bebés têm um excelente controlo da sua saciedade e irão parar de comer quando já não tiver mais fome. Contudo é importante que perceba a diferença entre uma birra por não querer comer, e o estar efetivamente saciado.

Não é por o seu bebé não ter gostado das primeiras experiências com um alimento que não gostará dele. Espere uns dias e tente de novo, as vezes que forem precisas. E é também importante ter em conta que os pais são os principais modelos a seguir. O seu bebé terá mais interesse nos alimentos que os vir a comer, muitas vezes antes de ser até a altura adequada para a sua introdução. É importante que ele esteja familiarizado a ver esses alimentos inseridos na alimentação dos pais, para que se tornem mais atrativos para eles.

Referências:

  • Comissão de Nutrição da SPP. Alimentação e nutrição do lactente. Acta Pediátrica Portuguesa. Vol. 43, n.º 5P Setembro / Outubro 2012. Suplemento II

  • Silva A, Aguiar H. Diversificação Alimentar no primeiro ano de vida. Acta Med Port 2011; 24(S4): 1035-1040

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