Artigo

Criança hospitalizada

Saiba qual o papel da família durante este processo e quais as estratégias recomendadas para confortar a criança. Conheça melhor a experiência da hospitalização para a criança e sua família.

Autoria: Ângela Baptista, Enfermeira Especialista Saúde Infantil e Pediátrica

A hospitalização representa uma experiência exigente para a criança e a família, trazendo novas aprendizagens e alterações repentinas na rotina de vida. Felizmente assistimos a um evoluir positivo, considerando-se a hospitalização somente quando estritamente necessária, e o menos duradoura possível. O foco passou a ser compreender a experiência da hospitalização, tornando-a menos traumática.

Direitos da criança hospitalizada

A Carta da Criança Hospitalizada (1988) vem implementar dez direitos, que se assumem como mandatórios no decurso deste processo, dos quais merecem destaque:

O primeiro direito, que define de forma clara em que condições a hospitalização deve ocorrer: "A admissão de uma criança no hospital só deve ter lugar quando os cuidados necessários à sua doença não possam ser prestados em casa, em consulta externa ou em hospital de dia."

Logo no segundo direito, encontramos resposta relativamente ao acompanhamento da criança: "Uma criança hospitalizada tem direito a ter os pais ou seus substitutos, junto dela, dia e noite, qualquer que seja a sua idade ou o seu estado." 
Assim, a criança deve estar próxima de quem ama, e que representa para si a sua segurança (exceto raras situações em que, por motivos muito particulares de saúde, a criança não possa estar acompanhada).

Fatores stressores da hospitalização

Um episódio de hospitalização não tem de representar uma experiência traumática. Perante esta necessidade absoluta, importa compreendê-la, reduzir ao máximo o seu impacto negativo, tentando mesmo torná-la numa oportunidade de aprendizagem.

A literatura dá-nos a conhecer os fatores vivenciados pela criança neste período, sendo influenciados pela sua idade, experiências anteriores com a hospitalização, gravidade do diagnóstico e rede de suporte disponibilizada. Estes fatores são denominados por stressores da hospitalização. São eles: a ansiedade pela separação, a perda de controlo, a lesão corporal e a dor. (Hockenberry e Wilson, 2011).

  • Ansiedade pela separação

A ansiedade gerada pelo afastamento dos familiares, do domicílio, dos seus hábitos, cria na criança um conjunto de reações negativas. Pode manifestar-se com protesto: choro, gritos, ataques verbais, agressões físicas; passando para uma postura de desespero, com um comportamento desinteressado, de isolamento e mau humor, podendo depois atingir um comportamento de interesse pelo ambiente exterior e pela interação.

  • Perda de controlo

A criança vivencia perda de controlo em relação às suas rotinas (sono, alimentação, cuidados de higiene) na satisfação dos seus desejos e vontades, e por vezes numa manifesta dependência física condicionada pela doença. A perda de controlo intensifica-se quando a criança percebe que o curso do processo de doença não depende de si. É de esperar que ocorram comportamentos de regressão, ou sentimentos de culpa, medo, vergonha, e frustração.

  • Lesão corporal e dor

Poderá manifestar-se o medo da lesão corporal, da dor, da alteração da imagem, do comprometimento funcional do corpo, intensificando-se o pavor perante a submissão a procedimentos técnicos. Para uma criança de dois anos, a presença de objetos estranhos, por exemplo um termómetro, poderá ser vista como uma ameaça.

Estratégias para aumentar o conforto da criança:

• Reconhecer os stressores acima referidos e tentar contorná-los.

• Garantir a presença de um acompanhante significativo para a criança, o que representará melhores respostas ao nível físico (redução de níveis de dor, insónia…) e ao nível emocional (menor irritabilidade, agressividade).

• Fazer por manter ao máximo as rotinas familiares da criança (hora do banho)

• Proporcionar, tanto quanto possível, a liberdade de movimentos

• Envolver a criança na sua recuperação. Uma preparação da criança para os acontecimentos, adequado ao seu nível de compreensão, ajudará a reduzir o medo.

• O recurso a medidas de distração, como a musicoterapia, medidas de conforto, como a massagem, irá ajudar no alívio da dor. É desejável que o meio hospitalar seja o menos "formal" possível, adaptando-se ao mundo da criança.

Suporte à família

A visão pediátrica do cuidar da criança hospitalizada funde-se com o conceito de parceria. Os familiares significativos são atores principais, conhecedores privilegiados da criança.

É importante que os pais saibam que as suas manifestações influenciam o comportamento da criança, mas que é legítimo terem as suas fragilidades e limitações, devendo recorrer aos profissionais de saúde para obter suporte.

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